sábado, 31 de dezembro de 2011

Passagem de Ano

Sendo enfermeiro todos os anos me toca a trabalhar ou a noite de 24 para 25 de Dezembro ou a de 31 de Dezembro para 1 de Janeiro. Este ano saiu-me na fava esta última.
Se fico triste? Não, desde que entrei para o curso que me mentalizei desta realidade e nestes 3 anos e meio de trabalho, habituei-me a desfrutar um pouco destes dias com os meus doentes.
Como fiz a noite de ontem também, adiantei grande parte do meu trabalho, então hoje acabei mais cedo um bom bocado. Que fiz eu no tempo que ganhei? Fui dormir por estar cansado? Não, fui aos doentes que aqui temos, aos que estão mais orientados e conseguem manter uma pequena conversa, não só desejar-lhes um Feliz Ano Novo, mas também dar-lhes um pouco do que normalmente não consigo fazer...dar-lhes um pouco mais do meu tempo.
A alguns foi mesmo só desejar votos de um bom ano…mas sabem o que isso significa para quem está internado numa instituição e muitas vezes não tem sequer um familiar que os vá ver? Saberem que alguém se lembrou deles não trata a dor, mas acreditem, alivia o sofrimento. Nem que esse alguém seja o enfermeiro que está com eles metade dos dias de um mês, todos os meses!
Com outros estive um pouco mais à conversa, pois são pessoas que se tiverem quem os ouça têm sempre algo que contar, algo do que se queixar, algo que desabafar. Mas é isso mesmo, são pessoas, que apesar de estarem doentes, nunca o deixam de ser. E como tal, gostam de receber um pouco de atenção nestes dias. Sei que é um pequeno e insignificante gesto, mas tenho pena de não o poder fazer mais vezes.
De resto o normal por aqui nestas datas…um jantar diferente dos outros dias, com direito a camarões e vieiras, algo que aprendi a apreciar desde que vim para terras galegas!
Ainda bem que aqui as uvas que se comem são das normais, que eu não gosto das uvas passas. Desse modo pude pedir os meus desejos e posso assim esperar um 2012 cheio de alegrias e coisas boas!
Claro que gostava de estar entre pessoas do meu seio familiar ou que, não o sendo, são muito importantes para mim. Mas sinto-me um privilegiado por poder fazer companhia a pessoas que necessitam de mim de outra maneira.
Sinto o seu carinho, o seu apreço, seu obrigado em cada sorriso ou palavra que dizem.
São dias como este que me fazem sentir ainda mais aquilo que sou todos os dias…Enfermeiro!

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Adeus, meu contador de Histórias!




Terça-feira, por volta das 10h, dia cinzento, chuvoso…prenúncio do que se avizinhava.
Quando já me preparava para dormir, para descansar de mais uma noite a trabalhar e para me preparar para outra noite mais, recebo um telefonema nada normal e algo inesperado. A normalidade tem destas coisas. Quando alguém nos habitua a algo, quando esse alguém faz algo fora dessa normalidade, é quase sempre mau sinal. A minha mãe telefonar-me a essas horas da manhã nada de bom anunciava…”Jorge, o avô morreu!”.
Qual seta que se nos entranha na pele, algo tão inesperado dói bastante, deixou-me atordoado sem saber bem o que fazer. Como é possível? Andava bem! Se bem que a minha experiência me diz que o andar bem não quer dizer nada. Mas o inesperado custa a entender mais que o esperado.
A partir daqui não vou entrar em detalhes. Foram dois dias complicados, não o posso negar, ausente de quase tudo, centrado na minha família. Tentei ser forte, não o sabendo se consegui. Agradeço as mensagens e os gestos de apoio que recebi, sem dúvida alento enorme para olhar em frente.
Nunca falei muito do meu avô. Não por gostar pouco dele, nada disso. Foi um homem que aprendi a admirar à medida que fui crescendo. Nunca foi de gestos carinhosos, nunca foi de dar prendas, mas gostava dos netos.
Homem duro, porque a vida o fez duro. Feitio complicado, como muitas pessoas neste mundo. Agarrado ao que é seu, sem dúvida, mas isso pode ser algo difícil de entender nos dias de hoje, em que um crédito nos ajuda a ter o carro ou a casa que desejamos.
Aos 85 anos, o meu avô criou 5 filhos, estão todos mais ou menos na vida, e conseguiu deixar-lhes um património que não é fácil de encontrar hoje em dia. Parte disso pode ter vindo de herança também, mas o meu avô trabalhou sempre muito para conseguir tudo o que tem.
Antes dos 30 anos foi para o Brasil. Viagem de barco, nada a ver com as idas turísticas que se fazem hoje em dia. Um homem do campo profundo, de um país atrasado, não é fácil chegar a um país novo e porque não, mais desenvolvido. Andou durante muito tempo a transportar pedra de gelo de 100kg numa bicicleta. Viu a mãe falecer estando do outro lado do Oceano. Passou por dificuldades e voltou. Casou-se com a minha avó, 5 filhos nasceram. Muito trabalho no campo, muita vida dura. Pelo que me dizem uma coisa é certa…não havia fartura, mas também não passaram fome. Mais tarde, para combater a miséria e conseguir algo mais, nova saída do país, desta vez para a fria Alemanha. Lá trabalhou na construção civil. Percebem a admiração que tenho por ele? Alguém que apenas estudou na universidade do campo, da agricultura, conseguiu sempre adaptar-se a diversas situações. Se não me engano, foram 14 anos lá. Conseguiu assim fazer a sua casinha nova (um casarão na altura), com dinheiro seu, com o seu trabalho (sim, foi ele que a fez), sem ajuda de bancos e empréstimos.
A casa onde eu passei muitos momentos da minha infância e que agora ia sempre que me era possível. Hoje, como sempre acontece, gostaria de ter passado por lá mais vezes.
Apesar de já não conseguir trabalhar no campo, que o fez até perto dos 80, ia fazendo a sua vida (com alguma ajuda), mas sem se render ao descanso mortal que a cama oferece a partir de certa altura. O meu avô sempre lutou contra isso. Andava devagarinho, mas pressa também não havia.
Sei estas coisas e muitas mais, algumas pelo que o meu pai contava, mas a maior parte delas ouvidas directamente da boca do meu avô, nas inúmeras horas que passei desde a minha infância a ouvi-las. Muita gente o criticava por repetir as histórias, mas eu não me importava. E o que mais me espantava é que, quando eram repetidas, os detalhes eram exactamente os mesmos, as mesmas palavras. Por isso digo que o meu avô era e é o melhor contador de histórias que conheci…é certo que era a sua história de vida, com marcas bem profundas na sua memória, mas sempre as contava da mesma maneira.
Não era um homem perfeito. Feitio muito complicado, machista, algo racista, podem até dizer agarrado…mas eu gostava dele. Ele não tem culpa da época, da cultura e da educação em que cresceu. Ele foi moldado pela vida desta maneira e mesmo tendo muitos defeitos, foi um homem de família com todas as virtudes que isso implica.
No meio da tristeza que me invade neste momento, fico feliz por ele nunca se ter rendido, nunca ter virado a cara e por não ter sofrido muito para partir.
Os netos não o puderam acompanhar em grande parte da sua vida, mas fizeram questão de o levar até à sua última morada. Forma de lhe mostrarmos todo o nosso respeito, carinho e amor.
Com saudade, lágrima a cair-me e de coração apertado…até sempre Avô!

terça-feira, 22 de novembro de 2011

...

Longas horas de espera...sei que vai correr bem, mas quando a saúde dos nossos está em jogo há sempre preocupação.

Sei que estavas nervosa ao sair de casa, entendo o quereres deixar a casa toda no seu sítio antes de saíres...entendo, mas não faz sentido! Logo estás aqui de novo.

Preferia estar junto a ela, não sei, não entendo porque não o permitem...mas vai correr bem...tem que correr bem!

Daqui a umas horas já passou...não te precupes Mãe, vai correr tudo bem! Até já! Beijinho

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Algo sobre Enfermagem...

Sei que nos últimos tempos tenho escrito pouco acerca da minha profissão. Não que tenha deixado de gostar de escrever sobre ela e muito menos de ser enfermeiro. Só que apesar de passar um momento muito positivo da minha vida, fico triste com o que tem acontecido. Atenção, não ando triste, fico triste só no momento de ler as notícias.
Nos últimos dias são às centenas os enfermeiros a ficar sem emprego em Portugal devido à não renovação de contratos. Sei que estamos em crise, sei que nestas alturas os trabalhadores trabalham mais para suprir necessidades dos serviços em relação à mão-de-obra! Admito que não se contrate mais pessoal…não concebo é que se mande enfermeiros que fazem falta aos serviços para a rua!
Tínhamos um Serviço Nacional de Saúde carente em enfermeiros…agora ainda pior!
Preocupa-me porque vamos entrar num período em que coisas más vão acontecer às pessoas por falta de atendimento! Não culpem é os profissionais de saúde que não têm mãos a medir. Não culpem os profissionais por uma pessoa passar horas à espera numa Urgência…eles têm que atender os casos consoante a gravidade. Se são poucos a trabalhar, o atendimento vai demorar ainda mais. Não é que não queiram atender…não é que não tenham nada que fazer…simplesmente não podem fazer mais! Está perigosamente a aproximar-se a falência do SNS tal como o conhecemos
E quando falo em profissionais não falo só dos colegas enfermeiros, falo de todos os constituintes da equipa multidisciplinar. Dou mais ênfase aos enfermeiros, porque além de colegas são os primeiros a sofrer na pele estas medidas…além do facto de serem dos profissionais de saúde aqueles que há muito tempo têm piores condições contratuais…quer a nível de salário, quer a nível de estabilidade.
Por isso não tenho falado muito sobre Enfermagem…por isso ninguém me pode levar a mal o facto de dedicar o meu tempo à pessoa que me faz feliz e que me faz viver um pouco afastado deste estado depressivo da nossa profissão!
Enfermagem para mim neste momento chega-me a que pratico no meu dia-a-dia como enfermeiro…fora do trabalho quero ser feliz ao lado da pessoa que amo e das coisas e pessoas que dão alegria à minha vida.

sábado, 22 de outubro de 2011

Parabéns "J"

Hoje faz anos a minha outra princesa...ainda ontem estava contigo ao colo e hoje já tens 17 anos e estás uma mulherzinha!

Para a minha afilhada "J", um beijinho do tamanho do mundo e lembra-te...por muito tempo que esteja sem ver-te, nunca te esqueço!Adoro-te!

Os olhos que vêem mais além...

Há cerca de 4 semanas e meia fui operado ao olho esquerdo, o principal responsável por eu usar óculos desde os 9 anos. Operação a laser, rápida e indolor...e resultado final, não preciso de usar óculos nos próximos tempos!

Contudo, o que eu pensei ter sido uma mera operação aos olhos, sei hoje que foi muito mais que isso...não fiquei a ver bem apenas dos olhos...o meu coração voltou a ter a visão que havia perdido há algum tempo! Voltou a ver sem qualquer sombra a felicidade que teimava passar por mim sem eu dar conta.

Hoje em dia vejo bem, contemplo maravilhado, como uma criança, todas as cores da vida, da felicidade, da paixão...do amor!

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Doente terminal...

Antes de escrever o que quer que seja, aviso desde já que isto é um mero texto de opinião, em nada fundamentado em bibliografia, apenas na minha experiência adquirida no meu trabalho ao longo destes três anos. Por isso não usem nada do que aqui é dito para teses de mestrado nem trabalhos universitários!
No meu serviço temos muitos doentes na fase final da vida, muitos velhinhos.
Depois de três anos aprendi que cada dia deles pode ser o último, mesmo aparentando estarem bem. Aliás, todos nós somos doentes terminais, podemos é estar mais perto ou não do fim.
Lá no serviço tenho os tais doentes apelidados de “terminais”, que têm doenças incuráveis. Contudo, alguns deles estão lá há muito tempo e conseguem levar uma vida aparentemente normal, resistindo mais que alguns que nenhuma doença terminal tinham.
Contudo, às vezes chegam-nos doentes, e em muitos casos pessoas jovens entre os 50-60 anos (tendo em conta a idade dos doentes que lá temos), que estão em fase terminal e não resistem muito tempo. São estes casos que me proporcionam a visualização da fragilidade humana e o quão devastadoras podem ser algumas doenças.
É estranho ver uma pessoa chegar lá a caminhar pelo próprio pé, a fazer uma vida normal praticamente e num dia sente-se um bocado pior…no dia a seguir está acamado e se as coisas forem bem-feitas, sedado e dormindo à espera que chegue o momento.
As pessoas perguntam-me se não me custa viver isto. A sério, não me custa. Não me custa saber que estou a proporcionar uma morte digna a uma pessoa. Uma passagem tranquila e sem sofrimento para outro lado. Custa-me isso sim, é ver pessoas a sofrer desnecessariamente porque ainda há quem diga que cuidados paliativos são eutanásia. Já tive doentes em agonia (e para mim agonia é dor agitação, intranquilidade, sofrimento) e eu sem nada poder fazer porque ainda há questões legais e hierárquicas a respeitar.
Às vezes parece que as pessoas aprendem e fazem tudo como deve ser…mas no caso seguinte voltam a andar para trás. Não há coerência…e quem paga são os doentes e em menor escala, quem passa os turnos junto a eles de mãos atadas, querendo, mas não podendo fazer nada.

Enfermeiros…activos e passivos

Bem, nos últimos tempos ando numa fase de enamoramento absoluto e até parece que não faço mais nada…quase isso! Perdoem este tonto apaixonado, mas a pessoa responsável por este meu estado merece isto e muito mais…
Bem, apesar de tudo, a verdade é que continuo a trabalhar, continuo a ser o mesmo enfermeiro que sempre fui, dedicado à causa e procurando sempre o melhor para os meus doentes. Posso andar aluado, mas tenho-me como alguém responsável e ciente do seu dever.
O meu serviço, fazendo a analogia com o sistema de saúde português, pode-se dizer que é algo do género de uns cuidados continuados, com algo de medicina ou geriatria, mas com menos recursos…o que às vezes obriga a um pouco mais de imaginação. Sempre me falaram que um enfermeiro devia ser imaginativo, criativo até, e sempre me assustou, pois nunca pensei que o seria. Hoje em dia creio que o sou, tal e qual como algumas colegas que comigo trabalham, e talvez mais do que muitos enfermeiros que me orientaram em estágios, onde o material e as condições “sobravam”.
Acreditem, nenhuma das minhas professoras era capaz de trabalhar onde estou, pois o mais certo era criticarem tudo e mais alguma coisa, aquilo ia dar-lhes um nó na cabeça, e acabavam por não ser aquilo que dizem ser…enfermeiras.
Um enfermeiro tem que ser isso mesmo…um enfermeiro. O meu serviço não é perfeito, não é um local “esterilizado” ou “imaculado” sobre o ponto de vista do que aprendi na escola e de todos os locais por onde fui passando em estágio (ou quase todos). Mas isso não interessa para prestar os cuidados de enfermagem. Onde estou, nunca ouvi dizer nem disse “Não se pode fazer isto porque não temos material para isso” Isso sim, já ouvi dizer e disse “Não temos material indicado para isso, mas vamos ver o que se arranja!” Eu não me formei para criticar…mas sim para ter sentido crítico. E ter sentido crítico é saber às vezes ter a noção que “não é possível ter mais do que o que tenho, vou ter que me desenrascar com isto”, ao contrário da crítica fácil e nada construtiva “não faço isto porque não tenho coisas para fazer mais”
Atenção, sou uma pessoa que reivindica sempre mais e melhor para o serviço onde estou, pois sei que pedir não custa e às vezes lá se vai conseguindo melhorar um pouco o que se tem…mas não deixo de fazer o meu trabalho.
O importante é termos os princípios todos metidos na nossa cabecinha…e a partir daí tentar aplicá-los na medida do possível…e esta é a questão…quando não consigo manter os princípios nada faço ou, sabendo que não os consigo cumprir, faço o que creio ser necessário para o doente? A minha prioridade é e será sempre a necessidade imediata do doente. Daí eu ser enfermeiro, daí eu praticar enfermagem…ao contrário de muitas pessoas que andam a “pregar Enfermagem”.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Sem palavras...

Acabo de ouvir esta música recomendada por alguém e a única coisa que posso dizer é que fiquei sem palavras.
Obrigado por teres mudado os meus planos...por também fazeres parte de todos os capítulos do meu livro.


sábado, 15 de outubro de 2011

Sinto-me bem...

A vida é feita de um equilíbrio de momentos de felicidade com momentos de tristeza ou maior dificuldade. Não vale a pena negar a existência destes últimos. O que a meu ver é importante é estarmos bem quando eles chegam. Importa a reacção que temos.

Neste momento sou feliz, como há muito não era. Sinto-me muito bem. Para isso tem servido tudo um pouco, algumas coisas mais que outras.

A minha amiga que há uns tempos estava entre a vida e a morte recupera a olhos vistos...estou super feliz!

Ter estado na passada quinta-feira, com a "J" e o "E", com a "L" e com a sua filha faz-me bem...e faz falta. Ter visto a pequena "C" que já não via há uns meses pôs-me um brilhozinho nos olhos. Adoro crianças, e ela sendo filha de uma pessoa que é uma irmã para mim ainda mais. Está encantadora, uma pequena princesa. O seu sorriso deixa-me feliz!

E como não podia deixar de ser, a pessoa que arrebatou o meu coração e me faz andar com um sorriso 24h por dia. A "AS" tem sido sem dúvida uma fonte inesgotável de felicidade e alegria diárias. Não sou nenhum Camões para expressar tudo o que sinto, mas duvido que até ele conseguisse descreve-lo! O melhor momento do dia é sempre aquele em que ouço a tua voz...em que te posso dizer que te adoro!

São todas estas circunstncias que me fazem viver um momento de pura felicidade. Claro que a qualquer momento este estado de espírito pode ser abalado por algum motivo. Porém, creio que por tudo que descrevi atrás, com maior ou menor dificuldade será ultrapassado.


sábado, 8 de outubro de 2011

Fim do Verão...

É agora que eu vejo que o verão acabou mesmo...entro ao trabalho de noite e saio ainda de noite...
Esperando ansiosamente pelo próximo verão e por algo que me vá aquecendo, a alma e o coração!

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Lisboa

Na minha última semana de férias decidi ir um fim-de-semana a Lisboa. Combinei com um amigo e lá fui.
Admito que de Lisboa só conhecia a Catedral da Luz e tive umas breves passagens pelo Colombo e pelo aeroporto. De resto, tinha uma má ideia da nossa capital. Demasiado grande e confusa.
Ainda bem que em decidi a ir visitá-la, pois sem dúvida alguma mudei o que tinha pré-concebido!
Lisboa é uma linda cidade para se visitar. Cheia de monumentos e zonas encantadoras para os turistas passearem e se deliciarem. Como só estive lá 2 dias inteiros, não deu para ver muito mais, daí estarem prometidas novas visitas.
Para ter uma noção geral da cidade, fui num daqueles autocarros panorâmicos. Tantos sítios a merecer uma visita mais pausada.
Das zonas mais emblemáticas só vi a zona de Belém, sendo toda a zona um Monumento e uma Homenagem aos Descobrimentos e aos nossos antepassados.
Visitei ainda o Mosteiro dos Jerónimos e o Castelo de S. Jorge! Para alguém que gosta de história como eu gosto, eram pontos essenciais numa visita destas.
No Sábado à noite eu e o meu amigo, Benfiquista e Portista, aceitamos um convite nada normal…ir ver o Sporting a Alvalade, ainda para mais para o meio da Juventude Leonina. A um péssimo jogo do adversário o Sporting respondeu com a melhor exibição da época até agora!
Ao jantar, um convívio entre amigos, os quais é sempre um prazer rever.
Como se pode ver foi uma mini-visita. Deu para ver alguma coisa, mas não tudo. E houve algo, não uma coisa, do que Lisboa de mais interessante tem, que ficou por conhecer. Com pena minha, mas às vezes as circunstâncias não o permitem. Contudo, espero ter essa possibilidade nos próximos tempos.
Agora já comecei o trabalho, novas férias só para o ano. Mas estas ao menos serviram para uma coisa…retemperar energias, paciência e vontade de continuar a ser um enfermeiro dedicado a uma causa, a causa mais nobre de todas…o cuidado ao próximo


quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Últimos dias...

Estou de férias há cerca de 1 semana. Uma semana bem preenchida até ao momento.
Primeiro dia, fui logo ver o grande jogo Benfica-Manchester e, apesar de já ter visto muitos jogos de futebol, este teve algo mais que os outros…para começar, um estádio repleto de pessoas a vibrar e puxar pela sua equipa do princípio ao fim. Lindo de se ver.
Nesse mesmo dia tive uma semi-surpresa…espero que nos próximos dias possa ser a surpresa completa!
É incrível como alguém que não está presente, consegue estar mais presente que muita gente que convive connosco diariamente. Fico-me por estas palavras elogiosas, porque senão vou ter que aturar determinada pessoa durante algum tempo!
Fim-de-semana foi passado em Lamego, no já tradicional Estágio de Karate de Lamego…muito treino, muita dedicação…e muito convívio! E mais uma vez, reitero o meu elogio à Escola de Hotelaria de Lamego. Arte de bem receber é com eles.
Finalmente, ontem fui operado, ao olho esquerdo (falta o direito), a ver se deixo de ser “caixa-de-óculos” e consigo avaliar correctamente as miúdas! Correu bem, se bem que obriga a certos cuidados nas próximas semanas.
Ainda falta uma semana de férias…mas prognósticos só no fim!

Hoje sou feliz...

Hoje sinto-me bem…sinto-me feliz!
Totalmente? Ainda não. O cenário negro dos últimos tempos vai-se desvanecendo, muito lentamente, é certo, mas muitas vitórias de vida ou morte têm sido ganhas.
Tive as minhas dúvidas e peço desculpa por isso, mas devia ser o primeiro a saber que se há alguém capaz de ultrapassar tamanhas barreiras, esse alguém és tu!
Ainda falta muito, não convém entrar em euforias, mas um despertar é sempre bom.
Hoje sou feliz…só por causa de você!




domingo, 4 de setembro de 2011

Opção ou Prioridade?

O Facebook, como qualquer rede social, tem os seus prós e contras. Muito lixo é escrito, mas também há coisas que são escritas e que merecem um pouco de reflexão. Algumas delas são frases feitas, sem dúvida alguma, mas isso não as faz perder o valor que têm. Aliás, hoje em dia é difícil ser original, já tudo foi dito ou escrito. O que interessa é o modo, ou se quiserem, o sentimento com que usamos o que já está feito.
Uma das frases que mais tenho visto por lá nestes últimos tempos é algo do género “não trates como prioridade quem te trata como uma mera opção!” É algo simples, banal para ser mais sincero, mas que tem implícito um grande princípio que deve reger a vida de qualquer pessoa.
Quantos de nós, eu inclusive, não sentiram já que perderam tempo atrás de alguém, alguém esse que mais tarde se veio a revelar não merecedor de tal devoção?
Não falo propriamente e especificamente de casos de amor que não tiveram sucesso. Com essas aprendemos sempre algo e se foram de amor sincero nunca poderá ter sido tempo perdido. Falo de situações do dia-a-dia, de relações que temos diariamente, com qualquer pessoa que faça parte da nossa vida.
Eu admito, já fui de adaptar pequenos aspectos da minha vida, como por exemplo horários, disponibilidade e até gostos pessoais, a algumas pessoas, porque realmente pensei que podiam ser um valor acrescentado ao meu grupo de amigos. Aos poucos apercebi-me de algo. Quem nos conhece, quem se preocupa connosco, a nossa família e os nossos amigos, esses não precisam que mudemos a nossa maneira de ser para gostarem de nós. Não se aproveitam da nossa disponibilidade, nem nos exigem presenças impossíveis.
E a vida é curta para perdermos tempo com quem não vale a pena. É certo que para sabermos isso, é preciso perder sempre algum para chegarmos a essa conclusão. Mas o que eu posso dizer, é que cada vez preciso de menos tempo para determinar se alguém vale ou não a minha dedicação. Há sempre excepções, pois quando sentimentos são envolvidos a razão perde um pouco da sua racionalidade, mas a seu tempo tudo se revela.
A minha entrega neste momento vai para aqueles que me tratam de igual maneira, que são as minhas prioridades. E é uma escolha fácil…a minha família, que me ensinou a ser o que sou hoje, que me transmitiu bons valores e sólidos. Que me proporcionou tudo para conseguir o que tenho hoje, que pode parecer pouco, mas é muito. Que me ajudou a ser o que sou hoje.
À minha segunda família, que quem me conhece sabe ao que me refiro, família na qual cresci com o suor do meu trabalho, do meu respeito pelos outros, pela disciplina, pela lealdade para quem sempre foi o meu mentor.
E finalmente aos meus amigos. Eles ouvem-me, eles preocupam-se comigo, mimam-me e chamam-me a atenção quando tem que ser. Eles divertem-se comigo com a mesma dedicação de quando choram comigo. E para ser meu amigo é muito fácil…eles que o digam. Eu dou valor aos pequenos gestos, a palavras sentidas e não ocas de sentimento. Não falo de outro tipo de pessoas, pois qualquer outro tipo de pessoas que possam existir, para serem minhas prioridades, teriam que se enquadrar nos que acabei de dizer.

“Tenemos la mala costumbre de perder el tiempo, buscando tantas metas falsas, tantos falsos sueños”





quarta-feira, 31 de agosto de 2011

...

Para não criar preocupações em pessoas que me são próximas, os últimos textos referem-se a uma colega e (grande) amiga do trabalho, que infelizmente teve um enfarte de repercussões gravíssimas.

Sendo verdade que ela é que está a numa luta permanente pela sua vida, esta situação não deixa de afectar, e muito, um grande número de pessoas. Em particular a família e pessoas, que tal como eu, privaram com ela muitas horas e muitos momentos, quer no trabalho quer fora dele.

Queria desde já agradecer o carinho que me têm dado, tendo eu a certeza que todo esse carinho se direccionará para esta minha querida amiga.

...

Esta noite fez-me ver que não irei acordar mesmo deste pesadelo.
Eras tu que devias ter estado comigo...e não estavas. Aposto que estavas junto a enfermeiros...mas era junto a mim que devias estar, a cuidar dos nossos doentes. Mesmo não falando, aposto que estavas a criticar os médicos e os enfermeiros por serem uns nabos...mas era a mim que devias criticar.

Assim como era eu que devia ter estado contigo no Domingo. Era o meu turno, o meu horário. Maldita troca. Tenho a certeza que quem esteve contigo fez os possíveis e impossíveis para ajudar-te. Mas eu não estive presente. Eu não pude fazer nada.

"M", faz um favor enorme a todos. Sei que queres demonstrar mais uma vez a tua casmurrice e força de vontade, mas sai desta depressa. Para mim és e sempre foste a maior, não preciso de mais provas. Sim, e quando voltares digo-to na cara, mesmo que isso me custe ter que te ouvir a dizê-lo todos os turnos.

Te quiero chica!

terça-feira, 30 de agosto de 2011

...

O penoso e angustiante que pode ser o toque de um telemóvel...

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

...

Há momentos em que parece que estamos a sonhar e que de tão maus acreditamos que acordaremos a qualquer momento e tudo voltará ao normal.
Infelizmente sei que não vou acordar. Os sentimentos de impotência e revolta são enormes. Resta esperar pelo que poderá acontecer...mesmo sabendo que o pior está ao virar da esquina.
Espero que sejas mais casmurra do que nunca e ultrapasses isto. Ainda tens muito que me ensinar!

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Encerramento...

Informam-se todos os leitores (1 ou 2 além de mim) deste blog que por motivos de férias do pessoal (eu), não será publicado nenhum texto até dia 24! Podem aproveitar para descansar!

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Uma música alegre, de acordo com a época em que estamos! Vivam e disfrutem do Verão!


quinta-feira, 30 de junho de 2011

OE ou não OE

"Caros prezados leitores…aqui escreve-vos alguém atormentado nos últimos dias pelas insónias, por noites muito mal dormidas, sempre a matutar na mesma coisa! Se é em mulheres? Não, desta vez não, mas é numa ela! E em quem? (perguntam vocês) Eu respondo…a Ordem dos Enfermeiros (OE)!
Para quem não sabe este rato jeitoso (de nome e não só) é Licenciado em Enfermagem. Porquê? Bem, o mais normal seria por ser um curso frequentado maioritariamente por ratinhas, mas o que é certo é que era algo que já pretendia uns anos antes de entrar no curso. Porém, as minhas intenções não são para aqui chamadas.
Muita gente não sabe, mas Enfermagem possui uma Ordem. Esta Ordem foi algo que veio trazer grandes benefícios para a profissão, pelo menos foi o que se fartaram de dizer enquanto tirei o curso. Claro está que enquanto estudante, vive-se mais os problemas dos estudantes (propinas, saídas, semanas académicas, encontros), que propriamente os problemas da profissão.
Acontece que findo o curso, e como se tem muito tempo para isso, começamos a pensar no nosso rumo (nosso e da profissão).
E qual o cenário com que nos deparamos (confesso que por muito mal que pudesse estar, nunca imaginei que estivesse tão mal)? Um muito péssimo, em que as perspectivas de emprego são quase nulas! E hoje em dia nem adianta vir com o factor C (não tem nada a ver com vitamina C), pois não é garantia de nada. Até se pode arranjar trabalho assim, mas também se corre o risco de passado 6 meses (duração normal dum contrato) sermos substituídos por alguém com um C maior que o nosso.
Voltando ao que interessa, segundo Guadalupe Simões, em entrevista à TSF, “temos cerca de 5000 enfermeiros desempregados, temos cerca de 7000 enfermeiros em vínculo precário, sendo que os contratos a termo certo, já a partir de Novembro, muitos serão despedidos”. Mas a meu ver, no que considero verdade há mais. Porque é que digo o que considero ser verdade? Porque para a Ordem e para outros que tais isso não é verdade…mas a questão é que a maior parte do pessoal que terminou há um ano (sim, não é o que acabou este ano, esses bem vindos ao martírio) está a trabalhar, sim senhor, mas em Espanha. E o que me choca? (olhem que não é fácil chocar-me) É ver que ninguém faz nada para encerrar escolas ou diminuir o número de vagas de acesso ao ensino de Enfermagem. Um país deve formar consoante as necessidades que tem. Bem, necessários, pelo que ouvi dizer são milhares, logo também se deve ter em conta as possibilidades do país. Se a saúde do estado e a saúde privada não têm capacidade para acolher tamanha afluência de enfermeiros recém-licenciados, o caminho a seguir é encerrar escolas ou diminuir drasticamente as vagas. Como é possível, que numa profissão com tão pouca saída, as escolas estejam sempre cheias? Cheias sempre entre os 60 e os cento e tal alunos. E para quem não sabe, entre públicas e privadas, são 54 escolas de Enfermagem em Portugal (ver “Cartas de Croca”, em www.forumvaledosousa.com). É só fazer as contas (por ano formam-se 3000 novos enfermeiros). Mas escolas não vão encerrar, sabem porquê? Interfere com muitas coisas…com muitos interesses. E o que fazer com o grande número de professores, que iriam para o desemprego? Sim, porque a verdade é que alguns pararam no tempo, não estão na prática há mais de 10 anos e na nossa profissão isso, a meu ver, é essencial.
A verdade é que vejo a única entidade que poderia fazer algo pela profissão imersa numa pasmaceira incrível e aplicada em coisas secundárias tendo em conta a situação actual. A ideia que grande parte dos recém-licenciados tem da Ordem, é que é um órgão impotente, incapaz, fraco e pouco disposto a encontrar e a lutar por soluções válidas para a profissão. E digo os recém-licenciados ou pessoal que acabou recentemente o curso, pois quem está bem não se queixa nem lhe interessa mover muito as águas (sei que generalizo, há sempre excepções). Ou alguém pensa que um enfermeiro, que está no quadro dum hospital, se preocupa com isto? Podem dizer “há, coiso e tal, está mau…” Sim, está mau, mas não é para eles, muitos dos quais com duplo ou triplo emprego.
A Ordem neste momento pode assumir que está a formar profissionais para trabalhar em Espanha, de tal modo que muitas escolas privadas (principalmente), mal acaba um curso, coloca os seus alunos no país vizinho. Quando nos dão a cédula, também poderiam dar a homologação do título, de modo a podermos logo trabalhar em Espanha. Facilitavam muito o trabalho e poupavam muitas dúvidas. Ah, e colocarem uma cadeira de espanhol obrigatória. Bom, por agora dá Espanha, mas por este andar também vamos lotar o mercado espanhol (seria obra)!
Mas o que me levou a escrever aqui foi uma notícia que li no http://noticias.sapo.pt/lusa/artigo/5b5eb9a9eff79fa4318895.html#page=1, em que vai passar a haver, após os 4 anos de licenciatura, um ano de internato. Para mim isto é a maior vergonha dos últimos tempos. Para quem não tem noção da realidade do nosso curso, pode até achar muito bem, que um ano sob a supervisão de alguém só faz bem e ajuda a formar melhores profissionais. Meus amigos, mas o que se passa é o seguinte. Temos um curso de 4 anos. Os três primeiros, quase metade do ano teoria, metade do ano práticas. Um último ano praticamente todo ele em estágio intensivo, supostamente de integração à vida profissional (sempre supervisionados). Não me venham dizer que faz falta um ano de internato! Muita gente diz “Ah, faz falta sim senhor, que às vezes apanha-se cada um (a)”. Quem diz isto ou só olha para o seu umbigo ou é hipócrita…ou burro! Em primeiro lugar, estas pessoas também vão apanhar com os internos, que segundo a ideia que passa são uns nabos. Vão ser as suas “cobaias”. Como foram ao longo dos 4 anos de curso. E em segundo lugar, quem é que estando a começar a sua profissão é perito no que faz? Ninguém. Ou pensam que um bom professor começa logo por o ser? Ou que um arquitecto começa logo por fazer a sua obra-prima? Não digo que não se possa ser bom mal se acabe um curso, mas é com o dia-a-dia, com os erros (não falo de grandes erros), com as novas experiências, que as pessoas se tornam peritas no que fazem. E bons e maus profissionais há-os em todas as áreas.
Sabem o que eu acho? Um enfermeiro novo precisa é de praticar, de adquirir auto-confiança, de perder o medo de fazer as coisas. Falo por experiência própria e pela de muitos colegas que comigo acabaram o curso. Ter não sei quantos doentes ao nosso cuidado (neste momento é um serviço inteiro) amedronta qualquer um. Pouca gente que acaba o curso diz-se preparada para começar a trabalhar, mas é isso que é preciso, trabalhar. Ou pensam que os enfermeiros antigos, os experts, daqueles que não falham uma veia, que actuam rapidamente em qualquer situação, nunca falharam uma veia ou se viram à nora em determinados momentos? Quantas vezes isso deve ter acontecido. E que me perdoem as pessoas, mas é “praticando” nelas que nos tornamos experts.
Esta situação, na minha opinião, acarreta outro problema (enorme). Este internato pelo que li vai ser pago, mal, mas vai. Ou seja, estes internos vão ocupar o lugar de enfermeiros. Logo está à vista a grande conquista do estado. Faltam enfermeiros, ninguém duvida. Então o que se faz? Mete-se internos, que equivalem aos actuais recém-licenciados a nível de preparação, paga-se menos e tem-se os cuidados prestados. E no fim do ano de internato que vai acontecer? Ficam os internos com os seus lugares, mas agora como verdadeiros enfermeiros? Não! Simples, vão os internos (pessoas muito melhor preparadas que há um ano atrás…para quem não percebeu, é ironia) para o desemprego e metem-se novos internos! Meus amigos, é pessimista, mas sinceramente é isto que vai acontecer. Vai-se criar um ciclo de entrada e saída de internos que vai criar um aumento do desemprego (ainda mais) na profissão (desculpem a minha falta de crença, mas esta é a minha convicção).
Sou da opinião que um Enfermeiro adquire muitas mais competências se ao acabar o curso começar logo a trabalhar como enfermeiro autónomo e responsável…do que se passar mais um ano em práticas sob a orientação de alguém. A meu ver isso não promove nem a auto-confiança nem a auto-responsabilização do profissional. Um interno vai acabar esse ano como acabou o 4º ano de curso…com mais um pouco de prática. Ou alguém pensa que a insegurança de alguém se resolve a colocar essa pessoa sobre a supervisão de outra pessoa que assume as responsabilidades das decisões? É apenas o prolongar o curso por mais um ano. Ninguém aprende a andar de bicicleta se não se tirarem as rodinhas de trás.
Para mim, o pior é estar cerca de um ano sem arranjar emprego (ou mais), pois aí sim, perdem-se as competências adquiridas até aí. A teoria se não é acompanhada pela prática perde a sua força.
Ou seja, para concluir, a Ordem com este acordo com o estado só prova uma coisa…os seus membros precisam urgentemente de fazer um internato numa Ordem a sério, para verem como se aprende a defender os interesses duma profissão! Para o que fizeram mais valia não fazer nada.
A ideia que a Ordem passa é que só está interessada no dinheiro das cotas mensais dos seus sócios, se eles estão ou não a trabalhar, não é com eles. Porque se fossem outros, quem ainda não trabalha não deveria pagar cota. Só se deveria pagar cota a partir do momento em que se trabalha, sem retroactividade, ou seja, sem ter que pagar o tempo que se esteve desempregado…e a meu ver só quando se trabalhar em Portugal. A verdade é uma, “À mulher de César não basta sê-lo, tem que parecê-lo!” Está na hora da Ordem ser dos Enfermeiros (todos)! "



Eu começo a ter medo! Escrevi este texto há cerca de 2 anos, creio eu. Além de, na minha opinião estar actualizadíssimo, algumas das coisas que previ concretizaram-se! Partilho de novo este texto, no local mais apropriado a assuntos ligados à nossa profissão. Se me vão dar feedback não me preocupa muito, apenas espero que a partilha das minhas ideias consiga levar-vos a pensar ou repensar em determinados aspectos.

Um dia espero que apareça alguém capaz de levar a nossa digna profissão para a frente, e quem sabe se uma pessoa assim não se encontra nestas novas gerações?

sábado, 25 de junho de 2011

Carta Aberta aos colegas Enfermeiros/Estudantes e à “nossa” digníssima Ordem

No dia 20 de Maio de 2011, eu e certamente milhares de colegas meus enfermeiros (as) recebemos um e-mail da Ordem dos Enfermeiros sobre a possibilidade de a partir de agora, quem quiser, poder pagar as cotas da Ordem por débito directo do ordenado. Como há muitas questões da Ordem que me fazem comichão (ou dizendo numa linguagem mais correcta, prurido), aproveitei para abordar as pessoas de lá sobre um dos assuntos que mais me provocam esse mal-estar, o facto de os recém-licenciados (desempregados) terem de pagar as cotas à Ordem mesmo não trabalhando.
Sendo assim enviei um e-mail de resposta (que tolo sou) ao que me enviaram, dizendo o seguinte “Boa tarde. Esta proposta também é válida para quem não tem emprego e, consequentemente, não tem vencimento? Isso sim, seria uma proposta séria e responsável da Ordem. Melhores cumprimentos,
Enfermeiro Jorge Gomes”

No dia 24 do respectivo mês recebi um e-mail em que me diziam que me iriam tentar responder o mais brevemente possível, o que veio a verificar-se como sendo verdade, pois no dia 25 enviam-me o seguinte e-mail:
“Ex.mo/a Sr./a Enf. Jorge Gomes
Em resposta à exposição de V. Exa. datada de 23 de Maio de 2011, encarrega-me o Sr. Enf. Germano Couto – Presidente do Conselho Directivo Regional de agradecer e “informar que uma vez que se encontra na situação de desempregado pode suspender temporariamente a sua inscrição na OE e, como tal, não pagará quotas enquanto tal situação se mantiver”.
Na expectativa de que a presente ajudará a esclarecer as questões colocadas, agradecemos a sua comunicação e disponibilizamo-nos, desde já, para contactos futuros se tal entender necessário.
Cumprimentos,
Ângela Moura
Secretariado: Conselho Jurisdicional Regional/Conselho Directivo Regional”

Contudo eu não fiquei satisfeito com as explicações, aprofundei mais a questão e coloquei novas questões, no dia 25 de Maio:
“Desde já agradeço a vossa resposta, uma vez que não esperava qualquer tipo de contacto.
Eu não falei no meu caso, apesar de estar desempregado em Portugal, trabalho em Espanha. Falo no caso de centenas (para ser simpático) de colegas que acabam o curso e estão meses (mais uma vez a ser simpático) sem encontrar qualquer tipo de situação laboral.
No tempo em que passei por isso (de Agosto de 2007 até Julho de 2008), disseram-me na Secção Regional Norte que eu poderia suspender a inscrição, mas que ao levantar a suspensão teria que ser efectuado o pagamento de todos os retroactivos, ou seja, de todos os meses que a cédula estivera suspensa. O que me parece que é uma maneira de contornar um problema, não de o resolver, e que na altura mostrava um aproveitamento total dos enfermeiros desempregados. Se hoje em dia assim não é, dou os parabéns por um passo rumo à seriedade e à honestidade (para não falar de Ética), que uma entidade como a nossa Ordem deve ter como princípios base.
Quanto a este assunto, tenho só mais uma dúvida. Imaginemos. Estou desempregado e suspendo a cédula. Não pago o tempo em que estou desempregado. Com este tipo de suspensão, fico na mesma com a vinheta da Ordem em dia, de modo a poder concorrer a todos os concursos que possam aparecer? Como devem saber, ter a cédula profissional com os pagamentos em dia, é critério presente em todos os concursos.
Mais uma vez, reitero o meu obrigado pelo vosso contacto e esclareço que sou apenas um jovem enfermeiro, um no meio de milhares, preocupado com a situação actual da profissão em Portugal e com pena de não poder exercer o exercício da profissão no seu país.
Melhores cumprimentos,
Enfermeiro Jorge Gomes”

No dia 27 de Maio recebo mais uma vez o e-mail a dizer que me iam tentar responder o mais brevemente possível:
“Ex.mo. Sr. Enf. Fernando Gomes
Encarrega-me o Sr. Enf. Germano Couto – Presidente do Conselho Directivo
Regional de acusar a recepção e agradecer a exposição de V. Exa. datada de
26 de Maio de 2011 e informar que em breve lhe daremos resposta.
Disponibilizamo-nos, desde já, para contactos futuros se tal entender
necessário.
Cumprimentos,
Ângela Moura
Secretariado: Conselho Jurisdicional Regional/Conselho Directivo Regional”

Vamos a 26 de Junho, e ainda espero ansiosamente pela resposta esclarecedora da Ordem, tal como os Portugueses esperam pelo regresso do saudoso D. Sebastião!
É por estas e por outras que os novos enfermeiros não se revêem neste organismo, pois para serem explorados e abandonados já basta os patrões que oferecem pechinchas como “trabalhar 6 meses de graça e no fim dos 6 meses vê-se se fica” ou “paga x e admitimo-lo no nosso hospital, a recibos verdes e por 6 meses, depois logo se verá”.
Não vou mais longe nas críticas e nas palavras porque sei que em Portugal quem diz a verdade muitas vezes é penalizado. Este exemplo que dei revela a todos a Ordem que temos…enquanto podem, tentam dar a volta a situação, com falsas soluções, mas perante confrontações directas remetem-se ao silêncio…dos culpados!
Termino dizendo que o que me faz sentir Enfermeiro, não é aquele cartão azul com a vinheta actualizada. São os meus doentes, a minha finalidade como enfermeiro, que me fazem senti-lo todos os dias!

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Gracias

Hoy voy arriesgarme a escribir en castellano. Porque? Creo que ya lo debo a algunas personas.
Ya es día 7 de junio, día de mi cumpleaños. Estoy en Pontevedra. Relativamente lejos de mi familia, de mis grandes amigos. Pero mismo así, consigo sentirme en casa, rodeado de personas a quien echo de menos, a personas a quien, sin duda alguna, puedo llamar de amigas. Son compañeras de trabajo o personas que están trabajando también fuera de su país.
Son estas personas, estas chicas inolvidables, a quien agradezco el rato que he pasado hace unos momentos, haciendo disminuir la soledad que puedo sentir. Es en grande parte por ellas que me hizo el enfermero que soy al día de hoy. Ellas son una parte responsable de yo ir a trabajar con una sonrisa en la cara (la otra parte son los enfermos).
Para mí no hay enfermeros, auxiliares o médicos. Todas tienen nombre, a todas llamo por igual.
Gracias “M” por todo lo que he aprendido y aprendo contigo (incluyendo las tonterías), por el placer que es trabajar contigo.
Gracias “S”, “M” y “C”, por la compañía y amistad dentro y fuera del trabajo.
Gracias “C” y “S”! Una compañera de trabajo y persona que ha conquistado mi admiración. La otra compañera de salidas y de buena disposición!
Gracias “M”, la última a llegar, pero que va ganando su espacio en el corazón de toda la gente. A ti, te agradezco porque me diste de nuevo la confianza en que puede haber médicos humanos, preocupados de verdad con los enfermos y sin la presunción que son mejores que todo el mundo (y por no me acertares con el agua)!
A todas vosotras, muchísimas gracias por hacer del día de hoy algo más que un simples día!
Un beso enorme de “Fer”!

P.S. - Pido perdón por los posibles errores!

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Farto!!!

Eu trabalho há quase 3 anos. Nestes 3 anos de vida profissional já tive todo o tipo de colegas de trabalho. Infelizmente, mais os maus que os bons.
Assumo-o publicamente, as saudades que tenho da “A.M.” e da “L.F.”, duas pessoas que mais que colegas, tornaram-se duas amigas. Da nossa equipa da altura delas sobro eu e a “C.C.” (mais a nossa Chefe, a única enfermeira espanhola em condições que conheci até hoje), e que bem que estávamos nós os 4. Era agradável trabalhar com elas, sabíamos que o trabalho era bem feito e acima de tudo, feito com interesse e responsabilidade. Sabíamos que se algo fora esquecido, não o fora com sentido de dar mais trabalho ao colega do turno seguinte. Despistes todos têm. Sabíamos que um “não fui capaz de fazer isto” significava isso mesmo, que se tentou fazer algo e não se conseguiu. Que quando isto acontecia, íamos 2 tentar resolver a situação.
Isto era uma equipa, tínhamos os 4 a mesma linha de pensamento sobre Enfermagem, sobre Companheirismo, sobre ser Profissionais.
Neste momento ando cansado! Cansado de meninas da mamã, de meninas que já nasceram cansadas, de meninas que falam mais do que o que fazem, de meninas que se fazem mais do que o que são, de meninas que se fazem de desentendidas, de meninas que não fazem o que dizem (e assinam) que fazem, de meninas que não fazem o que têm que fazer…estou farto de pseudo-enfermeiras! Continua a haver gente que pensa que por terem uma identificação a dizer “Enfermeira” o são mesmo! Gente desta não considero como colegas.
Esta gentinha, esquece-se de uma coisa…quando elas chegaram, já cá eu estava. As manhas que elas possam ter, são facilmente detectáveis. O chorinho de que são vítimas de mal-entendidos já não pega. São más companheiras, são más profissionais!
Só digo uma coisa, creio que em qualquer profissão é preciso ter brio no que se faz. Ou seja, procurar fazer bem o que se faz. Durante o meu percurso académico, a frase que me disseram e que mais me marcou foi dita pela enfermeira “I” num dos meus últimos estágios, pessoa muito exigente, mas com a qual mais cresci. Disse-me ela uma vez “Jorge, tens que ter a noção que dentro de meses estás no mercado de trabalho. Dares-te bem com os teus colegas vai depender de como fizeres o teu trabalho, pois ninguém quer nas equipas pessoas que sobrecarreguem os companheiros com o seu trabalho! Tens que trabalhar bem!”
Palavras sábias e verdadeiras!

O Nascer do Sol

No final de uma das minhas últimas noites de trabalho deparei-me, ao entrar num quarto de um doente, com os primeiros raios solares do dia. Que tem isto de extraordinário? Nada, mesmo nada. É uma coisa banal, que qualquer um pode ver…mas que poucos vêem.
Podem também perguntar-se porque me lembrei eu agora disto? Nem eu sei, mas apesar de há quase 3 anos trabalhar no turno da noite, asseguro que nunca me tinha fixado neste pormenor.
As pessoas costumam enaltecer mais o ocaso do dia, há sítios conhecidos por darem maravilhosas perspectivas do pôr-do-sol! Neste caso, naquela janela, eu descobri o sítio ideal para ver o sol a despertar para um novo dia.
Gostei. Apesar de fazer sempre noites, é raro às 6 e pouco da manhã ter a possibilidade de ver o que vi. Na maior parte do ano, chego ao trabalho de noite…e saio de lá de noite. Deito-me de noite e acordo já de noite. Garanto-vos que não é fácil manter uma vida normal neste tipo de horários.
Imaginem, sair do trabalho nunca antes das 8:30h, muitas vezes mais tarde. Chegar a casa. Antes das 10h é impossível estar deitado. Dormir as 8h recomendadas (quando o cansaço não obriga a mais), leva a despertar por volta das 18h. E que fazer depois das 18h? Humm, deixem cá ver…é complicado! Mesmo se eu fosse um adicto as saídas nocturnas, nem todos os dias há sítios abertos, nem quem nos queira fazer companhia. Além que o dinheiro não estica para sair todas as noites.
Se não se sai, que se pode fazer? Convidar amigos para uma conversa….podia ser, não estivessem mais interessados em jantar e ir dormir, porque à que levantar cedo no dia seguinte.
Isto talvez seja uma maneira de eu justificar o tempo que passo sentado em frente ao computador, meu amigo das horas vagas, e às horas que passo acordado noite dentro. Passo muito tempo no pc? É verdade sim senhor. Há alternativas coerentes? A não ser que tenha um bom livro, não vejo mais nada. Passear às tantas da madrugada também não me parece plausível!
A sério, por muito que o pc seja meu amigo (nunca se nega a fazer-me companhia), eu troco qualquer hora que passo em frente a ele por qualquer hora, minuto ou segundo que seja para estar com um dos meus amigos, para fazer algo fora de casa, beber um copo ou um café, simplesmente estar com pessoas que me fazem sentir bem. Qualquer oportunidade que tenha de sair de casa ou de socializar, aproveito. Eu não sou adicto ao computador…simplesmente é quem tem maior disponibilidade para estar comigo.
E engraçado é ver quem me crítica por este facto, passar grande parte do tempo que podíamos estar juntos também enfiado em frente a um pc, num vício camuflado de trabalho.
Muita da minha saúde mental é mantida pelos meus doentes, que me enchem todos os dias de palavras de apreço e de animo. Porque eles não se importam que eu esteja acordado às 4, às 5 ou às 6h da manhã. Pelo contrário, agradecem-no.
Posso ser esquisito, diferente dos demais, mas talvez por isso eu tenho a possibilidade de naquele quarto, ao olhar por aquela janela, assistir a algo que me faz sentir bem…

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Para Alguém que nunca esqueço...

Ao dia de hoje sou uma pessoa feliz. Adoro a minha vida profissional, lido bem com os sucessos e insucessos da vida sentimental, não sobrevalorizando uns nem dramatizando os outros, mas há algo que contribui muito mais que isso tudo para este meu estado…mais concretamente, uma pessoa.
Pensei que já aqui havia escrito algumas palavras sobre ela, mas enganei-me. Por pensar muitas vezes nela, confundo o que penso com o que escrevo e às páginas tantas já nem sei a quantas ando. Como não podia deixar de ser falo de uma rapariga. Mas esta é diferente de todas as outras.
Conheci-a tinha eu 10 anos. Foi amor à primeira vista. Lindíssima! Passado quase um ano demos um passo ainda mais importante na nossa relação, passo esse que sem dúvida alguma foi o que mais significado teve para mim até hoje. Igreja, padre, família…todos foram testemunhas desse momento solene.
Os anos seguintes serviram para aumentar a nossa ligação. Não imaginam a sensação de tranquilidade quando a tinha nos meus braços. Tê-la perto de mim sempre me fez bem.
A minha entrada na universidade fez diminuir um pouco os momentos em que estávamos juntos. Nos últimos anos, a minha vinda para Espanha e outras circunstâncias da vida, levaram ao que eu não queria. Raramente consigo estar com alguém a quem quero muito.
Estive quase um ano sem a ver. Nunca o comentei com ninguém, mas era algo que me deixava triste, magoado até, e como qualquer mágoa, doía…e muito!
Há cerca de duas semanas, liguei-lhe e convidei-a para um almoço. Ela não imagina quanto o “sim” dela me deixou feliz. Há muito que não conversávamos, que não tínhamos um momento a sós.
No passado Sábado, voltamos a estar juntos num casamento. Ficamos na mesma mesa. Falamos, rimos, comemos e dançamos juntos. Senti que a ligação que tivéramos nunca se desmoronou como eu tanto receara. Já há muito tempo, não me sentia como me senti no Sábado. Pela minha cabeça passaram várias recordações…eu aos 10 anos, a apaixonar-me pela bebé mais linda do mundo. O baptizado dela um ano depois. Os vários momentos em que a tive ao colo, em que a adormeci bem junto a mim…ou que ela me adormeceu a mim. As várias férias em família que passamos juntos. As festas de família sempre com ela presente. A felicidade que era ouvir aquela menina a chamar-me orgulhosamente “padrinho”.
A minha afilhada cresceu, está quase uma mulher, mas para mim será sempre a minha menina. Tenho muito orgulho nela, sinto-me honrado por poder chamar à “J” afilhada!
Esta é e será sempre aquela miúda pela qual estarei sempre apaixonado, pela qual os meus olhos terão sempre um brilhozinho especial quando falar dela e com ela.
“J”, aqui te deixo um Beijinho do tamanho do mundo!

domingo, 17 de abril de 2011

Mais vale tarde...

"C", amiga e colega de trabaho, peço-te imensa desculpa por não me ter lembrado no dia...Muitos Parabéns!

A minha cabeça já não é o que era (ou nunca o foi), e o facto de andar cansado também não ajuda!

Vê este texto com um "P.S." do texto "Aniversários", pois não podia deixar de te incluir lá!

Beijinho e felicidades

Open...

Cansado, muito cansado, por mais um fim-de-semana dedicado a algo que adoro! Mas que valeu a pena, valeu!

Parabéns "F", pela aplicação e arte que tens para isto, mas acima de tudo por seres um miúdo simples, simpático e super educado, um pequeno exemplo para colegas da mesma idade e para os mais velhos. Não acredites nas tuas palavras, podes não ganhar sempre, mas tens tudo para ganhar mais vezes como hoje! Também estás nas mãos da melhor treinadora que podias ter!

E uma saudação a todos os atletas, principalmente os mais pequeninos, que se portaram à altura. Mesmo não ganhando, deu para ver uma boa evolução.

Agora vou dormir, que a máquina precisa de descanso geral!

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Praia!

Há algo melhor que aproveitar uma solarenga e calorosa tarde de Abril do que indo à praia? Duvido...

Uma horita para começar...mas como me conheço, a partir de agora, sempre que o sol apareça, não desperdiçarei oportunidade. O que custa é começar e é engraçado começar tão cedo! Nem a meio de Abril chegamos, nem 1 mês de Primavera levamos e já temos tempo de Verão!

Ir à praia é, como em quase tudo na vida, melhor em companhia que sozinho...mas é das coisas para a qual não a necessito...é bom com e continua a ser bom sem companhia!

E o melhor de ir à praia? Dar uns valentes mergulhos no mar!

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Aniversários...

Este mês de Abril está preenchido por muitas datas de aniversários de amigos meus, amigos muito chegados.

Dia 8, o meu grande amigo da Universidade, daqueles que sei que será amigo para sempre porque a nossa amizade foi construída no respeito absoluto pelas diferenças um do outro, fez 26 anos. Ninguém diria que é mais velho (ok, 2 meses) do que eu, dada a sua imaturidade, mas pronto!

Meu caro amigo, estás longe, como bem sabemos, mas és daqueles que estão sempre presentes. Claro que sinto falta daqueles momentos em que nos rimos a alto e bom som, sem nos preocuparmos com quem está a ouvir (nem que seja o professor que está a dar a aula!), como daqueles em que falamos seriamente sobre o que nos vai passando. Para ti, um forte e sentido abraço e o desejo de voltarmos a estar juntos brevemente.

Dia 12, foi a vez da emigrante por Terras de Sua Majestade fazer anos. Mais uma amiga de quem sinto falta das nossas longas mas deliciosas conversas. Também a ti te deixo um sentido abraço e o desejo de voltarmos a estar reunidos em dias vindouros.

Hoje, dia 13, cumpriu 26 primaveras a “J”. Chamar-lhe amiga é pouco. Mesmo que para mim o termo amigo(a) signifique muito. Espero estar sempre próximo durante a nossa vida, para que nestes teus dias, e noutros, possa estar junto a ti.

A ti, minha querida Amiga, um beijinho de tamanho do mundo e o desejo que alcances a felicidade em todos os dias da tua vida!

E para colmatar, hoje estive com a “J” e mais a “L” (outra pessoa para quem o termo amiga é curto) e a “C”, filha desta última. “L”, acho que estou a ficar com a síndrome do teu pai…qualquer dia não a largo! Com 1 mesinho feitos ontem, só posso dizer que esta princesa está cada vez mais linda! Para ti, “C”, quando leres isto daqui a uns anitos, um beijinho fofinho!

Porque a vida sem vocês não tem significado…

segunda-feira, 21 de março de 2011

Amor à primeira vista!

Muita gente me tem perguntado se ando apaixonado, alguns até o afirmam…depois do dia de hoje só posso dizer que sim!
Tive a “C” nos meus braços…os olhos quase sempre fechados, mas penetrantes, os dedinhos tão pequeninos, as pernas momentaneamente irrequietas…mas acima de tudo, uma paz de alma!
Cativante, linda, encantadora…como é interessante que um ser que nasceu há uma semana consiga despontar sentimentos muito agradáveis em muita gente, mesmo em quem a vê a primeira vez!
Pegar nela ao colo transmitiu-me uma agradável sensação de paz…algo parecida com a que me transmite esta música…




Vou ver a "C"

Dentro de umas horas irei ver pela 1ª vez a pequena “C”! Já me disseram quão linda ela é, já preparei os meus olhos para o que os espera, mas sei de uma coisa…ficarão impressionados à mesma!
Ainda não te vi, mas o carinho que tenho por ti já é indescritível!
Até já!

quinta-feira, 17 de março de 2011

Revelação...este sou Eu!


Quando iniciei este blog tomei a decisão de o fazer sobre um ténue anonimato, uma vez que falando de situações de trabalho, poderia colocar alguns critérios éticos em causa.
Contudo, devido a 2 factores, considero que esse anonimato deixou de fazer ou nunca teve sentido.
O 1º, que tem a ver com questões laborais, eu apenas estaria a quebrar a ética deontológica se identificasse pessoas, doentes ou colegas de trabalho. Como considero que posso expor situações que ocorram na minha vida laboral sem identificar quem quer que seja, creio que este motivo já não obriga ao anonimato.
O 2º factor, mais pessoal, poderia vir do facto de eu poder não querer que se soubesse quem sou eu, apenas e só porque sim. Porém, creio estar certo quando penso que todos ou grande parte de todos os meus possíveis leitores são pessoas que já me conhecem de alguma maneira. E alguns desses, amigos muito próximos, quem sabe até família. Daí que também neste caso, não haver nada a esconder.
Eu comecei por me chamar apenas Jorge ou melhor dizendo, Jorginho. Bem, este último só para as tradicionais tias, que agora, quando já cumpri 26 Primaveras, continuam a pronunciar este nome. Mas como é com carinho, não vem mal ao mundo por isso.
Durante muitos anos assim se manteve até à entrada na universidade. Aqui desde cedo adoptei, ou mais uma vez, melhor dizendo, deram-me um nome de praxe que rapidamente andou de boca em boca…Dimitri! Ainda hoje estou convicto que muitos dos colegas que lá tive não sabem o meu verdadeiro nome. Antes isso que passar despercebido. Claro que os amigos e amigas que nasceram neste período da minha vida sabem bem como me chamo.
Ainda nesta fase, colocaram-me outro nome, o qual foi e ainda é usado apenas por pessoas muito próximas…Joca! É um nome que muita pouca gente me chama…mas essa muito pouca gente são uma parte importantíssima da minha vida.
Como se sabe, fui para Espanha trabalhar e aqui começaram a chamar-me um nome que é meu desde que nasci, mas que até à data era raro que me chamassem…Fernando! Justificação? Ouçam como se diz Jorge em espanhol e acredito que ficarão esclarecidos.
Por muitos nomes que me possam chamar, a minha identidade e personalidade são sempre as mesmas. Sou enfermeiro de profissão…mas antes disso sou alguém que acima de tudo ama a família, preza imenso as suas grandes amizades, dedica muito, dentro do que pode (que pouco é) ao Karate, que faz parte da minha vida há 20 anos…e vou vivendo apaixonado. Apaixonado pela minha vida e fundamentalmente pelas pessoas que dela fazem parte!

segunda-feira, 14 de março de 2011

Nasceu a "C"

No sábado de manhã nasceu uma menina há muito esperada (ok, os 9 meses da gravidez). A “C” é a filhota de uma grande amiga minha, daí eu ter acompanhado algo de perto a espera do seu nascimento.
A maior felicidade é dos pais e familiares chegados, mas podem ter a certeza, tanto a “L”, o “J”, assim como a pequena “C”, que têm amigos que ansiavam também por esta boa nova e estão também muito felizes.
Já aqui falei nisso, dada a amizade que tenho com a mamã, não posso deixar de ver a “C” como uma sobrinha, que por laços familiares não terei.
Claro que agora o meu próximo passo é ver a “C”, por mim já a tinha ido ver…mas esqueci-me do raio dos documentos do carro em Portugal e estou em Espanha neste momento!
Deixo aqui a certeza que a verei num futuro muito próximo e os votos de muitas felicidades aos papás e ao seu rebento.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Carnaval

Ontem foi um dia de Carnaval diferente. E logo eu que não ligo muito a estas coisas.
Voltei a rever a pequena “E” e o pequeno “F”, outra vez em conjunto. Estão mais crescidos, mas da mesma maneira encantadores. A “E” ontem não quis vir ao meu colo, preferia rir-se no colo da mãe. Mas voltei a sorrir com os seus sorrisos e com a tranquilidade que transmitem.
Pela tarde recebo um convite para jantar, um convívio luso-hispânico. Um senão, era preciso ir mascarado. “Oh, só me faltava mais esta!” Ida aos chinos ver o que havia assim há última da hora. Quando estou a escolher o que levar vem-me um pensamento do género “Epá, com tempo podia ter feito assim qualquer coisa de genial!” Eu sou um pouco assim, posso até nem estar muito numa onda, mas se é para fazer que se faça bem…pena ter sido tão em cima da hora!
Vá, fui de semi-pirata, pois faltavam algumas coisas para parecer um verdadeiro “Barba Negra, o Terror dos Sete Mares” (a começar pela barba)!
Quanto ao jantar, mais um excelente convívio. Cinco portugueses (apenas 2 rapazes) e oito espanholas. Gostei do ambiente, mas considero que estive na parte da mesa mais fixe. Boa companhia à direita, à esquerda e em frente. Não tenho nada contra espanholas (a da esquerda era espanhola), mas contínuo a preferir as portuguesas. Elas produzem-se muito e talvez por isso num convívio destes parece que às vezes estão mais preocupadas em chamar a atenção do que em conviver.
A noite acabou numa discoteca da cidade, já com o sol a querer acordar. E apesar de eu não ser muito adepto de discotecas, mais uma vez ficou provado que uma boa companhia é o mais importante. Diverti-me bastante.
Como tem sido costume, ela esteve presente. Divertida e espontânea como sempre. Desfruto desta amizade sem esperar muito do que aí pode advir, mesmo sabendo que posso sentir algo mais por esta pessoa. É engraçado, com ela não sinto aquele nó no estômago que dizem ser normal quando conhecemos alguém de quem gostamos. Mas sinto ansiedade em estar com ela. Em falar com ela. Em rir-me com ela. Simplesmente, gosto dela!

quarta-feira, 2 de março de 2011

Uma boa noite!

Esta foi uma boa noite...o meu Benfica lá ganhou mais um derby...e depois passei mais um bom bocado em excelente companhia…e nem a amostra de filme que vi agora estraga isso!
Conhecem a sensação do tempo passar e nem darmos conta? Nos últimos tempos tem passado isso...e sabe bem.
Há algumas características que gosto nas pessoas, como espontaneidade, simpatia, alegria, sinceridade, beleza natural…mas acima de tudo, adoro a autenticidade das pessoas.
Gosto de quando falam comigo sem receios de ferir susceptibilidades ou de parecer mal.
Sem pretender falsas ou erróneas interpretações, gosto de estar contigo! (o gosto talvez seja um adjectivo redutor para o que realmente quero dizer)


A minha bebé!

Eu trabalho há quase 3 anos para um conjunto de pessoas a quem os anos já pouco dizem, a quem as vicissitudes com que a vida se lhes deparou se notam nas marcas profundas dos seus corpos e almas.
De vez e quando aparece alguém “jovem”, na casa dos 40-65 anos. Porém, é coisa muito rara de se ver no meu serviço. Loucura, insanidade, demência…vários nomes que nos dizem praticamente o mesmo, que quem sofre destes males já não tem a capacidade cognitiva que teve em tempos. Mas vamos com calma, não é bem assim.
Qualquer pessoa, num determinado momento da vida, descontextualizada de uma determinada situação, pode ser considerada tola, demente, o que lhe queiram chamar. Porém, não quer dizer que o sejam sempre, quem conhece bem essas pessoas sabe como se comportam normalmente no dia-a-dia.
Com os “meus” velhinhos passa algo do género. Não digo que não tenham uma diminuição cognitiva acentuada. Têm, muitos deles bastante acentuada, que até me fazem duvidar do meu estado de normalidade! Contudo, há aqueles doentes que há primeira vista não têm muito para dar, parece que vivem num mundo completamente à parte, só seu, mas escondem lá no seu interior vestígios das pessoas que foram antigamente.
Eu não me afasto dos meus doentes, eu aproximo-me deles, falo com eles, dou-lhes mimos, dou-lhes sermões…brinco com eles como se fossem meus amigos de toda a vida. E para meu espanto, já vi momentos de lucidez absoluta em pessoas que pareciam perdidas, para todo o sempre, naqueles seus sonhos acordados.
Apesar de tudo o que disse, há uma doente, que apesar do muito pouco que teria para dar, é aquela por quem sinto um carinho (muito) especial. Já quase me morreu nas mãos, eu e a minha colega de turno fizemos tudo para reverter a situação e felizmente conseguimos. Foi das primeiras vezes que senti que algo que fiz “trouxe” de novo alguém à vida.
Vamos por partes. Esta doente, a quem eu carinhosamente chamo “a minha bebé”, é a “C”, tem 60 anos, deve ter 1 m e 50 cm e à nascença trouxe uma amiga para toda a vida, de seu nome Síndrome de Down. São as duas inseparáveis, olhinhos à chinês, as linhas da palma da mão diferentes do resto do mundo, as constantes infecções respiratórias e insuficiências cardíacas, uma visão bastante turva…e uma língua descomunal que ela com tanto orgulho exibe! Para não falarmos das poucas palavras que sabe dizer (olá, bom dia, boa noite, sim, não, água…ah, e sabe dizer o seu nome completo!). Tudo isto parece ser ela a dizer ao mundo “SOU DIFERENTE”…mas quando me sorri ou dá uma daquelas gargalhadas sinceras e espontâneas muito próprias dela, é como se me dissesse “SOU ESPECIAL”!
E pode ter a certeza que o é. Sou profissional e todos os meus doentes são cuidados com o mesmo profissionalismo. Como em tudo na vida, gostamos sempre mais de uns que de outros e o nosso maior carinho vai para quem gostamos mais. É assim que as coisas funcionam, não adianta vir com hipocrisias. E o meu carinho foi conquistado por quem menos se esperaria, por aquela pessoa que menos pediu quando lá chegou.
Todos os dias lhe faço a mesma pergunta “Eres guapa?” e a resposta é invariavelmente a mesma “Sí!” Vê-se mesmo que é mulher!
É por isso, que todas as manhãs, antes de vir embora, vou-me despedir dela…às vezes está a dormir, outras acordada e não me liga puto, mas basta que me dê um sorriso dos dela, para sair de lá com um estado de espírito…como hei-de dizer…mais leve!

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Geração parva...quem não se sente não é filho de boa gente!

Recentemente a pessoa Isabel Stilwell (não sei dizer ao certo qual a profissão da pessoa) escreveu um artigo, creio de opinião, sobre uma actual e badalada música do grupo “Deolinda”, que fala sobre as dificuldades dos jovens de hoje, mas que é acima de tudo uma crítica social, do meu ponto de vista muito bem conseguida.
Nem acho que seja uma crítica muito indirecta, considero que até esta bem visível. O alvo é a sociedade em que vivemos, e não os jovens de hoje nem o facto da opção destes em estudar no ensino superior.
Porém, como em tudo na vida, as pessoas ou vêem o que se pretende transmitir ou fazem de conta que não vêem ou não têm capacidade para ver! Esta pessoa enquadra-se ou na segunda ou na terceira hipótese…mas eu a optar optava pela terceira.
Deixo aqui o artigo em questão e o respectivo link para quem quiser confirmar a veracidade da existência de tais palavras…sim, porque para quem tem 2 dedos de testa, algo de anormal passa na cabeça desta pessoa!
Deixo também o comentário feito por mim ao artigo na página da Internet onde se encontra publicado, um de entre mais de mil comentários, na sua grande maioria de jovens “parvos” que infelizmente não têm a inteligência nem a capacidade de superação desta senhora e nem tiveram a oportunidade de lutar na guerra colonial como esta pessoa teve…ou será que não teve e eu é que já estou todo confundido com tamanha estupidez?
Se está prevista uma grande manifestação é sinal de uma coisa apenas, esta geração não é tão rasca nem parva como querem fazer parecer, nem se sente bem com a parcimónia instalada nas gerações anteriores, que bem vistas as coisas, são as grandes responsáveis pelo estado actual das coisas!

http://www.destak.pt/opiniao/87876
A parva da Geração Parva
17 02 2011 21.12H
ISABEL STILWELL EDITORIAL@DESTAK.PT
Acho parvo o refrão da música dos Deolinda que diz «Eu fico a pensar, que mundo tão parvo, onde para ser escravo é preciso estudar». Porque se estudaram e são escravos, são parvos de facto. Parvos porque gastaram o dinheiro dos pais e o dos nossos impostos a estudar para não aprender nada.
Já que aprender, e aprender a um nível de ensino superior para mais, significa estar apto a reconhecer e a aproveitar os desafios e a ser capaz de dar a volta à vida.
Felizmente, os números indicam que a maioria dos licenciados não tem vontade nenhuma de andar por aí a cantarolar esta música, pela simples razão de que ganham duas vezes mais do que a média, e 80% mais do que quem tem o ensino secundário ou um curso profissional.
É claro que os jovens tiveram azar no momento em que chegaram à idade do primeiro emprego. Mas o que cantariam os pais que foram para a guerra do Ultramar na idade deles? A verdade é que a crise afecta-nos a todos e não foi inventada «para os tramar», como egocentricamente podem julgar, por isso deixem lá o papel de vítimas, que não leva a lado nenhum.
Só falta imaginarem que os recibos verdes e os contratos a termo foram criados especificamente para os escravizar, e não resultam do caos económico com que as empresas se debatem e de leis de trabalho que se viraram contra os trabalhadores.
Empolgados com o novo ‘hino’, agora propõem manifestar-se na rua, com o propósito de ‘dizer basta’. Parecem não perceber que só há uma maneira de dizer basta: passando activamente a ser parte da solução. Acreditem que estamos à espera que apliquem o que aprenderam para encontrar a saída. Bem precisamos dela.



O meu comentário:

Triste ler tamanha parvoíce. Falar do alto do seu poleiro deve ser muito fácil. Pelo menos conseguiu que o seu textinho fosse lido e comentado por um número razoável de "parvos".Só uma pergunta...está a recibos verdes, a trabalhar 40 ou mais horas semanais e a receber uns 500 euros (a ser positivo)? Não me parece, mas não duvido que onde trabalhe haja "parvos" nessa situação, daí que a senhora veja isso com tanta normalidade.
Ah, nós não nos queixamos dos recibos verdes...queixamo-nos dos falsos recibos verdes, que são ilegais, que são a maioria e que a senhora indirectamente defende ou desvaloriza nas suas tontas palavras.
A senhora é casada ou foi? Tem filhos? Também gostava de o ser...mas aos 26 anos, isso parece uma miragem, a não ser que me dê um ataque de irresponsabilidade!
Podemos ser "parvos" devido à situação actual e mundial...mas há estupidez que é de nascença.
Se tem um pingo de vergonha na cara, esta é uma das alturas em que uma pessoa se devia retractar

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Indicações

Eu - "Onde fica a casa para onde vais morar?"
S - "Junto ao Hotel Galicia Palace."
Eu - "Humm, já ouvi falar, mas não estou a ver onde é. Fica a beira de mais o quê?"
S - "Do Gady's" (cadeia de supermercados da cidade espanhola onde vivo...ou seja, há vários Gady's)
Eu - "Ok, mas que Gady's?"
S - "Oh, o que fica junto ao Galicia Palace!"

Muito me rio com a "S". E eu gosto de rir...

O Turno da Noite

"Chego ao local de trabalho, para mais uma noite…trabalhar de noite, para uns significa não fazer nada (admito que até eu pensava assim), mas não, trabalhar de noite, ser enfermeiro de noite, consegue ser muito gratificante.
Ao passar pelas poucas pessoas que ainda não estão no quarto a dormir dirijo-lhes um “Olá e boa noite!”, sempre que possível com boa disposição. Eles não têm culpa dos problemas que possa ter na minha “outra vida”. Para eles sou o enfermeiro…ou apenas o Fernando, com quem a maioria das pessoas de lá “passa” as noites há quase um ano. Se a noite é assustadora para a maioria dos “meus velhinhos”, gosto de lhes transmitir segurança, que o amanhã é um novo dia no qual estaremos presentes…mesmo sabendo que por vezes isso não acontece.
Antes de todos adormecerem, passo por alguns quartos para algo que tenha que fazer. Aproveito esses pequenos momentos para conversar com os “meus amigos”. Numa idade avançada, não conseguimos dormir tantas horas por dia. As insónias assolam quase todos, a medicação para dormir é quase obrigatória e mesmo assim pouco se dorme…por isso uns dedos de conversa, a qualquer hora da noite, são sempre bem recebidos. Pergunto sempre como correu o dia…apesar de saber que para a maior parte deles os dias repetem-se, sem nada de novo…com quem ainda vê e se preocupa com as notícias, dá para discutir a actualidade…com quem vê a meteorologia, para discutir o tempo, o que fez e o que vai fazer. Com os outros que nada disto lhes interessa…aproveito para ouvir as histórias que têm da sua já longínqua infância…recordações dos filhos, do trabalho…da sua vida.
Acredito ser um bom ouvinte, procuro mostrar sempre atenção, não interromper…tive estágio com o meu avô, o melhor contador de histórias sobre a sua vida que conheci até hoje…e sempre que posso continuo a fazer reciclagens dessas lições!
Depois destes pequenos momentos, regresso ao meu refúgio…a noite ainda é longa. Uns dedos de conversa com a colega de trabalho, uma fugida ao msn para matar saudades dos amigos…atender ao toque duma campainha, ás vezes de alguém que apenas quer saber as horas (sim, a noite é assustadora para quem vê o fim a aproximar-se, por isso muitas vezes chamam para saber que estamos ali) ou socorrer alguma urgência real (ou pensam que perguntar as horas para eles não é urgente?).
Vem a mudança das fraldas. Trabalho menor de um enfermeiro? Não considero. Não temos nenhuma técnica especial para mudar as fraldas, mas alguém tem que o fazer. Aproveito esses momentos para mais uns dedos de conversa. Para ver se está tudo bem com eles.
Chega o amanhecer…6 às 8 horas não se pára. O trabalho da noite tem a particularidade de ter momentos mortos, mas os momentos em que se está a trabalhar são nonstop!
Vem a colega, passo o turno, espero não ter-me esquecido de nada. Sei que vou para casa a rever tudo o que fiz no turno…há quem lhe chame reflexão ou preocupação. Outros podem dizer que é insegurança. Eu não acho que seja insegurança. Somos humanos, podemos errar. Negá-lo é favorecer o erro. Temos consciência que um erro nosso tem outra designação…negligência. Lidamos com pessoas, com vidas, uma simples distracção nossa pode custar isso. Quem é que nunca errou no trabalho? Mas nós não podemos. Temos familiares, processos, chefes, tudo a cair em cima de nós…mas o pior de tudo, temos a nossa consciência. Por respeito às outras profissões não vou fazer comparações. São os riscos e responsabilidades da profissão (seja enfermeiros ou médicos), aceitamo-los e não perdemos muito tempo a pensar neles…corríamos o risco de nada fazer. Há quem diga que somos bem remunerados, principalmente os médicos. Eu acho que não. Nem os médicos, nem principalmente nós. E as pessoas reconhecem-no quando estão em situações criticas “Pago tudo o que for preciso, mas ponham-me bem!” Mas nós não andamos lá pelo dinheiro (só, porque também não somos a Madre Teresa) …nenhum dinheiro do mundo paga o sofrimento que se vê e sentimos, o vermos uma vida a apagar-se (ou muitas), os ritmos biológicos alterados…o que nos recompensa, o que nos motiva a seguir em frente, é sabermos que um dia fizemos a diferença na vida de alguém, que devolvemos o sorriso, a vontade de viver ou até mesmo a vida a alguém ou que ajudamos alguém a despedir-se desta vida com dignidade.
Saio do local de trabalho, despeço-me dos meus amigos que já estão acordados como um sonoro e sorridente “Bom dia, como estás?” e ás vezes com um cumprimento de mão ou um beijinho (refira-se que trato todas estas pessoas pelos nomes, nunca usei o termo “senhor” ou “senhora”, nem numa me chamaram enfermeiro…lá sou o Fernando)! Fica a sensação que podia ficar ali mais um turno inteiro, mas a cabeça, o corpo precisam de descanso.
Fim do turno…"
In http://ratos.blogs.sapo.pt/2009/10/
Este texto escrevi-o e publiquei-o há cerca de ano e meio, noutro local de minha autoria. Ao reler o texto senti que muita pouca coisa mudou, talvez apenas o facto de não ir ao msn de noite (por opção, não por imposição ou proibição de superiores). Por ser um relato de algo muito pessoal, decidi publicá-lo outra vez, neste caso no cantinho mais adequado para este tipo de textos.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Convívio

Estou a escrever na madrugada de 17 de Fevereiro, 3 dias após do badalado “Dia dos Namorados”. Nunca foi um dia que me dissesse muito, com ou sem namorada. Tal como, cada vez mais, se passa com o Natal e outras datas, o amor e todo o significado destes dias tornam-se comerciais e perdem a sua verdadeira essência.
Ok, aceito a existência deste dia, do dia do Pai, da Mãe, da Criança, do Enfermeiro, do doente com Cancro…não tenho outro remédio. Porém só fazem sentido se forem um assinalar de algo que tem de ser, de forma obrigatória, contínuo. Eu se namoro, todos os dias são dia dos namorados…para mim todos os dias são dia dos enfermeiros, pois mesmo nos meus dias livres eu não dispo esta identidade, por lei e por limpeza de consciência.
Bem, voltando ao assunto deste texto, uma parte da comunidade portuguesa existente na cidade espanhola onde trabalho resolveu fazer um jantar neste dia…para solteiros (ok, veio uma intrusa)! Qual jantar de encalhados qual carapuça! Jantar de solteiros, coisa que reforça a auto-estima, uma vez que é como se disséssemos “Só não temos porque não queremos!” O que não deixa de ser verdade, uma vez que algumas, ou melhor dizendo, todas as raparigas presentes não têm dificuldade em arranjar namorado!
Foi um excelente convívio, com alguns percalços pelo meio, mas nada que mude a opinião sobre esta noite. Pessoas jovens, alegres, interessantes e acima de tudo, com grandes doses de boa disposição…ok, um copito também ajuda. Para colmatar a noite, nada melhor que um karaoke, num misto de música espanhola e portuguesa, a demonstrar que eles quando querem conseguem ser “nuestros hermanos”!
E esta noite ajudou a reforçar algo que já começava a sentir…estou a gostar de…
Eu pensei que o que iria custar, dado o meu feitio, seria namorar a primeira vez, que depois disso o à-vontade para certas abordagens seria canja, tipo como andar de bicicleta, “nunca se esquece”! Porém, tenho comprovado que não. Gostava de saber se há um momento certo em que as perguntas “Será que gosta de mim?”, “Será que está interessada?”, “Será que devo avançar?”, são esclarecidas e nos incitam a dar um passo em frente, ou se temos que dar esse passo às escuras.
E não se trata de uma questão de auto-estima, pois não sendo nenhum George Clooney sei que tenho boas qualidades…e bons defeitos, como toda a gente.
Como diz a música “Si es amor, abrazame com ganas, si no lo es, talvez será manaña!”

domingo, 23 de janeiro de 2011

Para a J.L…

Muito em breve mais uma amiga irá partir para longe (dentro do que se pode considerar longe hoje em dia), procurando a sua felicidade profissional e pessoal.
Tenho pena que o país não seja capaz de aproveitar um capital humano, que apenas quer fazer uma coisa…praticar uma Enfermagem de excelência. Digo isto porque nós não emigramos em busca da fortuna, emigramos em busca da nossa realização, que de material muito pouco tem.
Muitos diriam “Podiam ficar naquelas clínicas ou privados, junto a vossa casa, e como iriam morar com os vossos pais, os 500 euros ou menos que vos pagariam seriam mais que suficientes!” Mas eu a esses, embora não fazendo juízos de valor nem criticando, não os admiro. Admiro isso sim, quem prefere ir atrás dos seus sonhos, mas tendo sempre em atenção uma palavra e toda a imensidão do seu significado…dignidade! Dignidade pelas pessoas que são e dignidade pelos enfermeiros (as) que querem ser. Só assim conseguem ser leais com esta nobre profissão.
Não estudamos 4 anos (e são 4 porque cadeiras que dariam muito bem para serem anuais são semestrais), não somos considerados trabalhadores especializados para ganharmos menos ou pouco mais que um salário mínimo para cuidarmos de quem precisa de nós. Não somos freiras nem voluntários, somos responsabilizados pelos nossos actos e até pelos dos outros, embora muita gente faça questão de tapar olhinhos da sociedade. Se um médico se engana a prescrever algo, o seu “criado” se faz o que ele manda também é responsabilizado…daí termos um voto na matéria podendo recusar administrar algo prescrito, mesmo contra o mal-estar de alguns (serve apenas como um exemplo).
Defendo e sempre defenderei o trabalho em equipa multi-disciplinar, pois reconheço a importância e o valor de todos, mas uma equipa só o é quando existe respeito entre os seus membros. Por experiência própria, sei que um serviço pode passar sem um médico, porém sem enfermeiros não passa…porque a nível de trabalho, a verdade é uma, ninguém gosta de fazer trabalho de hierarquias inferiores e muita gente não o sabe fazer. Mas volto a frisar, quero ser apologista da ideia que “médicos e enfermeiros dependem entre si num grau semelhante”, preciso é de argumentos para isso!
Voltando ao assunto deste texto, porque já me desviei bastante, quero apenas dizer à minha grande amiga “J.L.” que lhe desejo toda a sorte do mundo.
Conhecia-a no meu último ano da universidade. Foi das pessoas com quem maior relação e empatia tive no início desse ano e por culpa minha, houve um período de algum afastamento. Felizmente demonstrou-me a excelente pessoa que é e concedeu uma nova oportunidade à nossa amizade. E desta vez, é uma promessa que faço, não cairá. Nunca falei com ela sobre isto, às tantas até pode não ter esta noção, mas eu tenho.
J.L., afirmo aqui, o mais publicamente que este blog pode ser, o carinho, a admiração e o respeito que tenho por ti e pela tua amizade. És uma menina muito especial para duas pessoas (sabes bem a quem me refiro), foi em parte por ti que procuramos estar presentes em determinados momentos dos últimos tempos.
Sei que serás uma excelente enfermeira e sabes porquê? Tens aí tudo…bondade, simpatia, genuidade, inteligência, bom senso e acima de tudo, vontade.
Partes agora rumo à aventura, encara esta experiência como um algo enriquecedor e não te esqueças…estejas onde estiveres, tens aqui alguém que estará a torcer por ti!
E agora despeço-me com um até breve e deixo-te aqui um beijinho e um abraço muito forte…só para ti!

P.S. – Prepara-te para umas visitas!

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Costumbres...

Tapas...cañas...y buena compania...así se pasa una buena noche!

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Obrigado…

Nunca duvidei do valor dos meus amigos…nunca duvidei que sei o verdadeiro valor e total significado da palavra “Amizade”. Mais uma vez senti e sinto o carinho deles, do seu importantíssimo e caloroso apoio.
Mas o meu agradecimento vai um pouco mais além dos meus amigos de créditos dados…abrange também:
As pessoas recentes na minha vida que, pela sua simples maneira de ser e estar, e mesmo que inconscientemente, ajudaram a atenuar e amenizar estes dias de maior angústia.
Aos pequenotes da minha vida, deixo também uma palavra…um sorriso, um gesto de ternura vosso…tem um poder sobre mim muito difícil de explicar, mas muito fácil e agradável de sentir.
Aos meus doentes, que me enchem todos os dias de palavras simpáticas e enternecedoras (fora os que me mandam dar uma volta, mas até esses me fazem rir e sorrir) e me fazem ver que estou no rumo certo do que quero ser enquanto profissional.
A todos vocês, que me confirmam a veracidade da expressão “nenhum homem é uma ilha”, o meu muito e sincero obrigado!


domingo, 9 de janeiro de 2011

Ano Novo, Vida...

O ano não podia ter começado melhor…o Benfica começou a ganhar! (ok, espero que este momento tenha sido o ponto estúpido do texto, mas não prometo)
Como milhões de pessoas, tenho um perfil no facebook (2 se contarmos com o do blog), onde por vezes exponho os meus estados anímicos. Às tantas mais do que o que devia…mas menos do que as pessoas pensam.
Várias pessoas pensam que eu ando feliz por estar “apaixonado”. Não nego que estar apaixonado é algo que nos pode trazer enorme alegria, como também pode trazer o reverso. Porém, como sou um romântico convicto, defenderei sempre a 1ª hipótese, mesmo que algumas vezes conduza a estados de menor alegria (servindo “menor alegria” como um eufemismo). Vale a pena lutar por aquilo que queremos e gostamos, desta maneira nenhuma luta terá sido em vão.
Mesmo assim, não é só estar apaixonado que me faz estar bem…dou outro exemplo, mudei de companheira de trabalho, de uma que não me falava para outra com quem me dou às mil maravilhas. Tem idade para ser minha mãe e às tantas vejo-a como a minha “mãe profissional”. Ajuda-me e ensina-me bastante. Um dia que saia do serviço onde estou, ser-lhe-ei grato por tudo o que fez por mim.
Contudo, há algo que ainda me pode trazer mais felicidade, que me eleva a um patamar de alegria superior.
Para os meus leitores mais assíduos (os outros que leiam alguns textos mais para trás), devem ter reparado que no dia 13 de Novembro escrevi 2 textos, no mesmo dia, de apenas uma frase cada um. Frases porém que revelavam uma preocupação profunda e angustiante. Nesse dia descobri que um exame feito por alguém muito chegado a mim tinha detectado uma anomalia…possibilidade de cancro. A palavra cancro, segundo dizem, não assusta tanto como antes…mas quem é que diz tamanha asneira? Nunca sentira tanto medo na minha vida como o senti nesse momento. Eu lido com cancro todos os dias, na minha profissão, mas por muito carinho e quem sabe, amor, que eu sinta por alguns desses meus doentes, saber que uma das ou a pessoa mais importante no mundo para mim poderia estar prestes a enfrentar algo desse género, abalou-me como nada nunca me havia abalado.
Coloquei uma música espanhola, de título “Te voy a decir una cosa”, da cantora Amaia Montero…perguntaram-me mais uma vez quem era a rapariga que me estava a encantar. Sim, a música fala de amor, fala de uma mulher, não digo o contrário…mas é uma dedicatória de uma filha para uma mãe. Eu não sei cantar…foi a maneira de dedicar algo à minha, de dizer a quem quiser ler, ver e ouvir, o que sinto pela minha mãe.
Apenas no dia 6 deste novo ano, soube que o exame deu negativo, as piores suspeitas não se confirmaram…e soube que a médica já tinha os resultados há já algum tempo e nada havia dito. Será que é humana? Será que ela imagina que cada dia que adiou a comunicação desse resultado, foram dias de agonia para uma família, principalmente e acima de tudo para a minha mãe? Para mim não é preciso ser-se nenhum iluminado, nem ser muito inteligente para se ter bom senso nestas situações. Está provado que altas médias não significam alto nível de inteligência (“B” e "J", sabem que não os incluo nesse grupo e estou convicto que serão uns médicos decentes…pois vocês são inteligentes).
Deste jeito, creio que está justificada e explicada a minha mais que natural alegria neste início de ano. Sinto muito mais leve, de ânimo redobrado. O mês de Dezembro foi mau, tirando situações pontuais que já aqui abordei, de uma carga emocional enorme.
Peço antes de mais, desculpa aos meus amigos e amigas. Sei que podia e posso confiar neles, mas não desabafei. Admito que mantive aparências durante um mês, mesmo sabendo que às vezes não o consegui. Houve uma pessoa fora da família que o soube. Ela sabe que me refiro a ela e sabe o quanto ter desabafado com ela significou para mim.
Lamento a extensão do meu texto, mas “J.L.” (para quem não sabe a leitora e amiga que me garante uma visita diária ao blog), queixaste-te que já não escrevia algo há muito, pois aqui tens algo que ler!

P.S. – Apesar deste ser o maior motivo da minha alegria…não exclui as outras possibilidades abordadas no inicio do texto ;-)


Define um pouco de como me sinto...algo que devo a um conjunto de factores e pessoas...